A cobrança dos cuidados de saúde prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) a cidadãos estrangeiros foi um dos temas em debate no programa “Check Up”, do Canal S+.
Numa altura em que estão a ser procuradas soluções para melhorar a faturação dos serviços, o ex-secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos considera que a utilização do SNS por estrangeiros é “sobretudo uma falsa questão” e defende que, em situações de urgência, a prioridade deve ser prestar os cuidados necessários.
Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, alertou para a necessidade de distinguir as diferentes situações, lembrando que existem mecanismos de reciprocidade no acesso aos cuidados de saúde.
Para a enfermeira, é necessário perceber a que cidadãos se refere o debate sobre a cobrança, distinguindo quem está abrangido por acordos de reciprocidade de outras situações de acesso ao SNS.
Francisco Ramos, antigo secretário de Estado da Saúde, considera que a discussão em torno da utilização dos serviços por cidadãos estrangeiros está a ser sobredimensionada. O antigo governante defende que, perante uma urgência, o atendimento deve ser assegurado, ficando a cobrança para um momento posterior.
Nos cuidados programados, Francisco Ramos lembrou ainda que é necessária a referenciação do utente e defendeu que a identificação de quem recebe os cuidados pode ser feita antes da prestação do serviço, permitindo determinar posteriormente a responsabilidade pelo pagamento.
O Governo anunciou a criação de um grupo de trabalho para melhorar a faturação dos cuidados prestados pelo SNS a cidadãos estrangeiros, depois de terem sido identificadas dificuldades na cobrança após a alta dos utentes.
O programa Check-Up faz todas as semanas a análise da atualidade da saúde, com moderação da jornalista Vera Arreigoso. À sexta-feira, pelas 22h, no Canal S+, na posição 129 da sua box de televisão.