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Residência artística na ULS de Coimbra promove encontro entre artistas e utentes

LUSA
30-09-2026 19:07h

Vinte e três artistas participaram hoje na segunda edição da Residência Artística da Casa de Artes “A Colina”, na Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, para aproximar a comunidade dos utentes através das artes.

Ao longo do dia, os artistas de várias áreas, como pintura, desenho, teatro, música ou fotografia, desenvolveram projetos na Casa de Artes no Hospital Sobral Cid, em Coimbra, que tem implementado um programa de intervenção de âmbito psicoterapêutico através de mediadores expressivo-artísticos.

“Temos dinâmicas de fora para dentro e de dentro para fora. Neste caso concreto, é trazer pessoas da comunidade, do exterior, ligadas às artes, que trabalham a arte no seu dia-a-dia, profissionais nas artes, para poderem participar e criar o seu processo criativo aqui, do princípio ao fim, junto da comunidade hospitalar”, explicou à agência Lusa o coordenador da Casa de Artes, Pedro Renca.

O responsável destacou ainda a possibilidade de os artistas, durante a dinâmica, aberta à comunidade, convidarem as pessoas a participar no processo criativo, estabelecendo, de uma “forma improvisada, uma proximidade”, algo também preconizado na Casa de Artes.

“Uma das nossas visões é trabalharmos muito a questão humana, do bem-estar, e proporcionar à pessoa que participa neste programa a possibilidade de, dentro do contexto que está a viver - mais frágil -, ter a possibilidade de, mesmo assim, encontrar alguns ‘links’ com pessoas, com formas de trabalhar diferente, mas que lhe possa dar alguma tranquilidade”, disse.

Com “casa cheia” durante o período da manhã, Pedro Renca referiu que balanço é “sempre positivo” em várias dimensões, sobretudo, do utente, “porque faz entender que há outras possibilidades para complementar o plano de tratamento”.

“[Os utentes] conseguem perceber que não estão sozinhos e que não estão aqui abandonados: há pessoas, há dinâmicas, há contacto humano, há sorrisos, há olhares que se cruzam neste circuito”, sustentou.

Outra dimensão apontada por Pedro Renca foi a de trazer também "mudanças de metodologias", apontando que uma implementação de um programa "que não estava implementado, estruturado, monitorizado", com “indicadores muitos positivos”, dá uma forma de demonstrar que "é algo inovador" e, no contexto institucional, dá “suporte e credibilidade” para continuarem "a trabalhar este tipo de mediadores”.

Entre os artistas convidados estava Manuel Armando, economista que se dedicou à pintura depois da reforma, e que considerou a iniciativa “muito importante”.

“É uma forma de evasão fantástica. Quando saímos do nosso dia-a-dia e nos colocamos a pintar ou a desenhar, são duas ou três horas que não estamos cá”, sustentou.

O pintor notou “uma interceção muito grande” entre os utentes, exemplificando que um deles que o questionou sobre como se via um quadro e se interpretava a sua expressão.

“Tive a oportunidade de dar a minha interpretação e de lhe explicar, de uma forma um pouco ‘naïf’, como é que nos gostamos ou não gostamos. E isso é que é o cerne. Não interessa ser o melhor o quadro do mundo se a gente não gosta”, explicou.

Para Filipe Mendes, 60 anos, a frequentar as atividades de escrita criativa e teatro na Casas de Artes há cerca de dois anos, esta residência artística é “uma festa”.

“Estou estupefacto. É tão bom, tão bom, a liberdade”, descreveu.

Com um livro publicado, afirmou que a iniciativa “entra no processo de cura” e realçou também o contacto com os artistas: “vemo-nos como personagens rítmicas”.

Francisco, 47 anos, na Casa de Artes há cerca de quatro meses, “fez umas fotografias” para recordar o dia, e considerou que as atividades são para “ocupar as pessoas” e “sair da bolha”.

Já Odete Santos, 51 anos, ouviu a atuação do saxofonista, que gostou muito, e participou ainda no workshop de teatro, “uma experiência muito agradável”.

“Nunca tinha feito teatro. Gostei muito”, sublinhou.

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