A unidade de saúde mental de Sintra deverá reabrir até novembro, mediante prestação de cuidados de saúde pelo Hospital de Cascais, deixando de obrigar os munícipes a recorrerem às urgências ou a Lisboa, anunciou hoje o presidente da autarquia.
“A ULS [Unidade de Saúde Local] adquire ao Hospital de Cascais prestações de serviço na área da saúde mental. O Hospital de Cascais concretiza nas instalações do antigo Cintra o serviço que esteve cá durante anos”, afirmou Marco Almeida (PSD), sobre o acordo estabelecido com o Ministério da Saúde.
O social-democrata, que falava na reunião pública do executivo, em resposta ao vereador Eduardo Quinta Nova (PS) sobre o encerramento do Cintra - Centro Integrado de Tratamento e Reabilitação em Ambulatório em Sintra, acrescentou que “a solução é reabrir o Cintra em Sintra”.
“É isso que está previsto. A câmara comprometeu-se para suportar os custos com a manutenção das instalações, mas se fosse necessário até íamos mais além”, explicou.
O autarca salientou que, se fosse necessário, o orçamento municipal para a área da saúde mental seria reforçado para a câmara contratar “os técnicos necessários ao Cintra”, mas a ministra da Saúde disse que não era necessário.
“Portanto, eu acredito que o modelo está a ser montado e que durante o mês de outubro, novembro vamos ter aqui uma solução para devolvermos o Cintra aos sintrenses”, adiantou.
A decisão saiu de uma reunião com a ministra Ana Paula Martins, o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, a entidade financeira do Ministério da Saúde, a ULS Amadora-Sintra, a ULS de São José e o Hospital de Cascais.
Segundo Marco Almeida, a Câmara de Sintra estava “a par, através do documento estratégico para a reorganização dos serviços de saúde na Área Metropolitana de Lisboa, da deslocação do Cintra”.
“Relativamente ao encerramento da unidade de saúde mental nunca esteve esse assunto em cima da mesa”, reiterou Eduardo Quinta Nova, assegurando que, enquanto vereador responsável pela área da Saúde nos anteriores mandatos, nunca essa “questão foi abordada”.
E, caso o fecho tivesse sido anunciado, Quinta Nova garantiu que “seria liminarmente rejeitada” e que “todas as discussões que houve em torno do funcionamento dos serviços de saúde mental no concelho” foram “em sentido inverso”, de centralizar em Sintra todas “as respostas, não só na área da saúde mental, para crianças, jovens e adolescentes, mas também para adultos”.
“Houve da nossa parte uma grande insistência para que fosse criado no novo Hospital de Sintra mais um serviço de psiquiatria, pedopsiquiatria e de psiquiatria de adultos, precisamente para concentrar no município de Sintra todas estas respostas”, frisou.
Além disso, admitiu, “nunca esteve fora de questão” que parte dos serviços de saúde fosse prestada pelo Hospital de Cascais”, pois sempre defenderam que a população já servida por aquela unidade “em matéria de saúde maternoinfantil” fosse “estendida a todas as especialidades”.
“É inaceitável que tenhamos utentes do município de Sintra que, para terem acesso a cuidados fundamentais na área da saúde mental, tenham hoje que se deslocar para Lisboa”, considerou, lamentando também “um aumento do número de utentes sem médico de família no concelho”.
O presidente da autarquia considerou, numa anterior reunião pública do executivo, que “o comportamento do Ministério da Saúde é deplorável” no encerramento da unidade de saúde mental de Sintra, obrigando munícipes a recorrerem às urgências ou a Lisboa, disponibilizando-se a financiar a reabertura.
O Hospital de Sintra, apenas com urgência básica, em articulação com o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), representou um investimento municipal de cerca de 64 milhões de euros na construção e de 17 milhões em equipamentos e mobiliário.
Antes da transferência para o Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, o Cintra tinha a responsabilidade pelos cuidados de saúde mental e psiquiatria à população adulta nas freguesias de Agualva-Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Cacem-São Marcos, Colares, Pêro Pinheiro, Montelavar, Rio de Mouro, São João das Lampas, Terrugem e Sintra.