A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) entrega 350.000 alevinos na capital moçambicana, para reforçar a segurança alimentar de produtores aquícolas, através do programa Aquacultura Resiliente às Alterações Climáticas, foi hoje anunciado.
A iniciativa, que será lançada sexta-feira, na localidade de Ngalunde, distrito de Marracuene, província de Maputo, sul do país, numa ação conjunta do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (IDEPA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, enquadra-se no projeto "Construindo Resiliência na Zona Costeira através de abordagens de Adaptação Baseada em Ecossistemas (EbA) na Área do Grande Maputo", segundo um comunicado divulgado hoje.
Segundo a FAO, os 350.000 serão distribuídos por unidades de produção aquícola dos distritos de Marracuene, Boane, Matola e Matutuíne, todos na província de Maputo, acompanhados de ração de alta qualidade, prevendo-se uma colheita de cerca de 100 toneladas de peixe.
Segundo a informação, a iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF) e implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), visando apoiar comunidades costeiras afetadas pelos impactos das alterações climáticas através do desenvolvimento da aquacultura sustentável.
Para o representante da FAO em Moçambique, José Luis Fernandez Filgueiras, a iniciativa pretende reforçar a capacidade das comunidades para enfrentarem os efeitos das alterações climáticas.
"Esta iniciativa não se limita à entrega de insumos, trata-se de capacitar as nossas comunidades para que liderem a sua própria adaptação às mudanças climáticas. A piscicultura sustentável é uma alternativa viável e rentável que cria empregos, fixa rendimento no meio rural e reforça a segurança alimentar", refere Fernandez, citado no comunicado.
Só em Marracuene, local do arranque do programa, a iniciativa contempla o povoamento de 15 tanques pertencentes a sete produtores locais, numa ação que incluiu uma demonstração simbólica numa unidade de produção, apresentada como exemplo da aplicação de técnicas sustentáveis de aquacultura para aumentar a produção e o rendimento das famílias.
Além da distribuição de alevinos e ração, o projeto prevê ações de capacitação em maneio e processamento de pescado, a criação de Grupos de Poupança e Crédito Rotativo e o fortalecimento de cooperativas locais, numa abordagem destinada a garantir a sustentabilidade económica das comunidades beneficiárias.
O projeto EbA foi desenhado para melhorar a gestão sustentável dos ecossistemas costeiros em sete locais estratégicos da região costeira e assenta no reforço da capacidade institucional, na capacitação comunitária e na disseminação de conhecimentos sobre resiliência climática e boas práticas ambientais.