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Cerca de 300 pessoas manifestaram-se em Lisboa pelos direitos “de todos os animais”

LUSA
05-09-2026 18:36h

Cerca de 300 pessoas marcharam hoje em Lisboa pedindo direitos para todos os animais, “independentemente da espécie”.

“É uma marcha pelo direito de todos os animais e quando nós falamos em todos os animais é independentemente da espécie, em especial, todos os animais que diariamente morrem para estar à nossa frente, no nosso prato”, explicou à Lusa Mia de Carvalho, da organização.

Mia de Carvalho explicou que se trata de um movimento “abolicionista, vegano, que luta pela libertação animal e pelos direitos que deveriam ser verdades universais”, como direito à vida, ao habitat, à justiça e à liberdade.

A organizadora considerou que a participação na marcha tem sido consistente ao longo dos últimos anos.

“Quem está aqui são pessoas que fazem ativismo diariamente, em casa, no trabalho, nos tempos livres”, disse, dando o exemplo de pessoas que gerem santuários de animais, que cuidam de cães e gatos, de animais resgatados.

Para alcançar a mudança, Mia de Carvalho defendeu que é necessário “mudar o paradigma” e a forma como se veem as espécies.

“Todos os animais, seja um porco, seja um cão, um gato, um coelho, uma galinha, um peixe, todos os animais são dignos de direitos e são sencientes. O que nós precisamos de mudar é a nossa perceção e a nossa dissonância cognitiva”, registou, acrescentando que as pessoas são boas e que, “se tivessem de matar o animal que comem, provavelmente não o fariam”.

“Não seriam capazes porque iriam ter pena do animal e veriam quão sanguinário isso é, mas a verdade é que nós pagamos diariamente para alguém fazer isso por nós”, sublinhou.

Entre os participantes na marcha que saiu pelas 16:00 do Campo Pequeno em direção à Assembleia da República estava Simão Coelho, que participava nesta marcha pela quarta vez.

“O que fazemos aos animais é algo muito mau”, disse, apontando para as condições nos matadouros e nas quintas.

A solução, no seu entender, passa também, por, a nível individual, excluir o consumo de produtos animais e abordou a possibilidade de recorrer a nutricionistas para atingir uma dieta equilibrada.

“É completamente simples e hoje em dia temos várias opções”, referiu.

Com dois cartazes na mão seguia a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), Maria do Céu Sampaio.

Com 89 anos, a caminho dos 90 no próximo mês, garantiu que estará “sempre, até ao fim” da sua vida a protestar.

“Temos que pensar que temos de zelar pelo nosso planeta, porque não podemos estar a explorar o planeta e os animais da maneira que fazemos porque temos de deixar um planeta saudável às novas gerações, e as novas gerações têm de ter consciência de que elas próprias têm de exigir que lhes entreguemos um planeta saudável”, afirmou.

Maria do Céu Sampaio considerou que estas marchas servem para sensibilizar e informar a população sobre a necessidade de mais direitos para os animais, seja no caso da exploração, seja no abandono.

Nesse caso, destacou a necessidade de identificar e esterilizar os animais abandonados, por representarem uma ameaça à saúde pública.

A presidente da LPDA lamentou ainda “a forma desumana e cruel” com que são tratados os animais de quinta em Portugal.

Também no protesto esteve a porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real, que lamentou aos jornalistas que a lei que criminaliza os maus-tratos animais não esteja a ser aplicada.

“Nunca tivemos uma condenação efetiva por maus-tratos ou abandono a animais de companhia, apesar dos vários casos que têm gerado forte preocupação social e que têm, inclusivamente, vindo à praça pública”, disse.

A porta-voz do PAN acrescentou que o partido vai, no regresso aos trabalhos parlamentares, insistir na lista de agressores e de maus-tratos a animais de companhia.

“Não podemos continuar a assistir a pessoas que já foram condenadas por maus-tratos animais e que depois voltam a ter animais, voltam a adotar animais e a lei nada faz”, lamentou.

Inês de Sousa Real considerou ainda que tem havido falhas das políticas públicas do Governo no tema animal, apontando para a queda das esterilizações em 2024 e 2025 e defendeu um esforço conjunto entre o Governo central e as autarquias.

“Não podemos deixar apenas na mão das câmaras municipais a campanha de esterilização dos animais”, sublinhou.

Já a deputada única do Bloco de Esquerda, Andreia Galvão, que substitui Fabian Figueiredo este mês, mostrou a solidariedade do partido com este tema, que “fica por vezes mais esquecido politicamente”.

Entre as falhas apontadas, estão a falta de eficiência nos programas de esterilização, más condições e falta de acompanhamento nas colónias de animais em espaços urbanos e falta de ferramentas no poder local para criar estabilização das carreiras de veterinários.

Questionadas sobre a moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo, as duas deputadas remeteram para as decisões das suas comissões políticas.

No caso do PAN, a reunião decorre no domingo, mas a porta-voz adiantou que “não é ir atrás de uma moção de censura de André Ventura que vai resolver o problema”.

Para o BE, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “já não apresenta condições para continuar”.

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