As organizações humanitárias internacionais estão a colocar hoje em ação diversas respostas de emergência nos locais mais afetados pela enxurrada devastadora registada no Nepal e no território chinês do Tibete, onde já estão a distribuir ajuda.
A organização não-governamental (ONG) Oxfam e a Médicos Sem Fronteiras (MSF) já destacaram equipas de emergência para os distritos de Rasuwa e Nuwakot, os mais afetados pela tragédia.
“Bairros inteiros estão soterrados sob a lama e as equipas de resgate continuam a trabalhar. A água subiu nove metros em meia hora. O que vemos até agora é apenas o que conseguimos alcançar”, afirmou Santosh Pandey, responsável humanitário da Oxfam no Nepal.
“Os rios estão cheios de detritos e águas residuais, e não há abastecimento de água potável pela rede de canalização”, acrescentou o representante, salientando que, neste momento, a prioridade é fornecer água potável e saneamento seguro às pessoas afetadas.
Segundo o último balanço provisório das autoridades, pelo menos 392 pessoas morreram e cerca de 1.400 estão dadas como desaparecidas na sequência da enxurrada.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) detalhou que pelo menos 17.000 crianças foram afetadas pela catástrofe e estimou que pelo menos 14 menores morreram, embora preveja que os números possam aumentar.
Para apoiar as crianças afetadas, a UNICEF pediu aos doadores internacionais para que contribuam com 17,2 milhões de dólares (cerca de 14,8 milhões de euros ao câmbio atual) para apoiar a sua resposta de emergência e ajudar na reconstrução e na assistência às crianças.
A UNICEF explicou ainda que as crianças que sobreviveram “enfrentam agora um risco acrescido de doenças, desnutrição, violência e exploração”.
A agência da ONU indicou também que 18 escolas ficaram completamente destruídas e outras 20 sofreram danos, bem como que quatro centros de saúde ficaram gravemente danificados.
De acordo com as estimativas das autoridades do Nepal, quase 40.000 pessoas necessitam de ajuda de emergência em matéria de higiene e purificação da água, além de mais de 3.000 ‘kits’ de higiene pessoal e quase 4.000 ‘kits’ de apoio para crianças com menos de 5 anos.
Neste sentido, a Oxfam, em colaboração com os parceiros no terreno, está a distribuir ‘kits’ de higiene de emergência, embora tenha alertado para a necessidade urgente de mais de um milhão de euros para alargar a sua resposta.
A ONG Save the Children está também a distribuir ajuda de emergência às famílias.
A diretora nacional desta ONG no Nepal, Tara Chettry, alertou que a vida das crianças “mudou num instante”.
“Embora seja necessária ajuda imediata e urgente, a resposta não pode limitar-se aos produtos de emergência”, advertiu Chettry, sublinhando a necessidade de “financiamento flexível”.
Um dos principais entraves à resposta humanitária, segundo a coordenadora residente das Nações Unidas no Nepal, Lila Pieters Yahia, é mesmo chegar às zonas mais afetadas, uma vez que a maioria das vias está cortada e ajuda tem sido entregue de helicóptero.
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou que uma equipa com experiência em intervenções de emergência chegou ao país "menos de 24 horas após as inundações" para avaliar as necessidades imediatas da população e que está "a colaborar com os centros de saúde para avaliar” o apoio a prestar às populações.
A MSF acrescentou num comunicado que, com base na experiência com outras catástrofes semelhantes, “as pessoas nas zonas afetadas terão necessidades urgentes de abrigo, artigos não alimentares, acesso a água potável e latrinas, bem como de apoio médico urgente e cuidados de traumatologia”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou material médico de emergência destinado a cobrir as necessidades de 10.000 pessoas durante três meses.
Também o Programa Alimentar Mundial (PAM) está a preparar o envio de ajuda humanitária.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) lançou um apelo de 25 milhões de francos suíços (cerca de 27 milhões de euros ao câmbio atual) para cobrir a resposta de emergência e, posteriormente, apoiar o regresso à normalidade ao longo dos próximos dois anos.
A vizinha Índia enviou um avião de carga militar carregado de ajuda algumas horas após a catástrofe e, desde então, outros aviões transportaram cerca de 50 toneladas de material humanitário.
Nova Deli enviou também pontes modulares pré-fabricadas e transportáveis, uma vez que várias infraestruturas foram arrastadas pelas correntes de lama.
O governo do Bangladesh anunciou que vai fornecer tendas, redes mosquiteiras, alimentos e sacos mortuários.