O secretário-geral da ONU lançou hoje um apelo por 1,1 mil milhões de dólares (940 milhões de euros) para combater o Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), criticando o "vírus da indiferença" face à epidemia.
Em declarações à imprensa, em Nova Iorque, António Guterres afirmou que o atual surto é a epidemia de Ébola de crescimento mais rápido de que há registo e está a alastrar-se mais rápido e mais amplamente do que a capacidade de resposta para o conter.
"Mas pode ser detido. Sabemos como conter o Ébola – como interromper a transmissão – e como salvar vidas. Mas também precisamos de vencer outro vírus: o vírus da indiferença. Porque a atenção internacional, o foco político e os recursos ainda estão aquém da realidade que se desenrola no terreno", denunciou.
Guterres já havia apresentado um plano detalhado de necessidades humanitárias e de resposta no valor de 2,13 mil milhões de dólares (1,83 mil milhões de euros).
"Este valor já está financiado em 48% – graças, em grande parte, a uma importante contribuição dos Estados Unidos. Mas os recursos atuais durarão semanas, não meses", explicou.
Nesse sentido, o líder da ONU lançou um apelo para angariar 1,1 mil milhões de dólares para completar o pacote de ajuda.
"O mundo ainda tem a oportunidade de se antecipar a esta crise. Mas o tempo não está a nosso favor. O surto de Ébola merece muito mais atenção do que a que está a receber hoje. As comunidades afetadas merecem muito mais assistência", sublinhou.
O antigo primeiro-ministro português destacou que a crise do Ébola é, antes de mais, "uma tragédia humana que afeta as famílias e as comunidades a uma escala extraordinária" e frisou que este é hoje o maior surto de Ébola na história da RDCongo.
Até 25 de agosto, foram confirmados 5.713 casos, com 2.744 mortes, segundo a ONU. Com cerca de 500 novos casos reportados todas as semanas, o surto continua a expandir-se por uma vasta área, com as mulheres e crianças a serem particularmente afetadas.
"O desafio é imenso. Estamos perante uma emergência de saúde pública num dos contextos mais frágeis do mundo", disse o chefe das Nações Unidas.
"É tempo de reunir a determinação coletiva para agir antes que o custo se torne mais mortífero, mais difícil e mais caro", concluiu, em declarações na sede da ONU.