O Governo cabo-verdiano prepara a revisão do protocolo terapêutico em psiquiatria e uma avaliação mais aprofundada da situação da saúde mental no país, no âmbito de um encontro de trabalho que reúne, desde hoje, médicos, psicólogos, enfermeiros e outros técnicos.
"Os desafios associados às doenças mentais, às dependências, ao sofrimento psicológico, bem como às transformações sociais e económicas que vivemos exigem respostas cada vez mais robustas, humanizadas e baseadas na melhor evidência científica disponível", afirmou o secretário de Estado da Saúde, Artur Veiga.
O responsável falava na abertura de um encontro de trabalho iniciado na cidade da Praia que permitirá avaliar a situação da saúde mental e identificar, com a equipa técnica da saúde, as respostas necessárias.
Artur Veiga explicou que a revisão do protocolo pretende orientar os profissionais na decisão clínica, uniformizar as práticas e reforçar a segurança, a qualidade e a equidade no acesso aos cuidados.
"Por esta razão, a revisão do protocolo terapêutico em psiquiatria reveste-se de elevada importância estratégica", afirmou.
O atual protocolo foi implementado desde 2017 e vai ser revisto para adequar os procedimentos de intervenção à realidade atual e às prioridades do programa do Governo.
"Nós vamos adequar o que já existe. É claro que nós temos consciência de que têm sido feitos trabalhos. Vamos dar continuidade onde for possível e melhorar o que se tem de melhorar", afirmou.
Artur Veiga disse que o Governo não dispõe de dados que permitam confirmar um aumento dos problemas de saúde mental no país.
"E não estou a dizer também que não há esse aumento, mas vamos fazer sim um estudo mais aprofundado", afirmou.
O secretário de Estado considerou a saúde mental uma das prioridades do Governo e defendeu a integração desta área na resposta do setor da saúde.
"A saúde mental é uma área bastante sensível aqui na população", afirmou, defendendo o reforço das respostas existentes.
Artur Veiga destacou ainda a situação das pessoas com problemas de saúde mental que vivem ou circulam nas ruas e que, segundo afirmou, são alvo de 'estigmatização'.
O governante defendeu também um maior envolvimento das famílias no acompanhamento das pessoas com problemas de saúde mental.
O encontro de trabalho para a revisão do protocolo terapêutico em psiquiatria decorre até sexta-feira e junta médicos, psicólogos, enfermeiros e outros técnicos da área da saúde mental.
Em dezembro de 2024, Jacob Vicente, responsável pelo Centro de Atendimento Psicológico na Praia, alertou para a falta de profissionais e recursos na área da saúde mental em Cabo Verde.
Segundo Vicente, apenas três psiquiatras asseguravam então o atendimento em todo o país, havendo localidades dependentes de médicos cubanos.