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Congresso de Vilar de Perdizes assinala 40 anos e regressa de 28 a 30 de agosto

LUSA
19-08-2026 09:29h

O Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, no concelho Montalegre, assinala em 2026 a sua 40.ª edição com uma evocação ao fundador padre Fontes e destaque para os saberes ancestrais e as terapias naturais.

O congresso realiza-se entre 28 e 30 de agosto, no norte do distrito de Vila Real, e tem como mote “Uma tradição de cura”.

“É uma edição importante porque são 40 anos de história e homenagear o padre Fontes é manter vivo este congresso e tentar melhorá-lo ano após ano”, afirmou hoje à agência Lusa Rafael Vilamarim, presidente da Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes, que organiza o evento.

António Fontes lançou o congresso em 1983 para reforçar o valor da medicina popular e o poder das plantas para combater doenças, mas foi a junção do sagrado e do profano protagonizado por um padre que chamou a atenção para a iniciativa.

Em 2026, Vilar de Perdizes volta a afirmar-se como lugar de encontro entre tradição e contemporaneidade, preservando e divulgando conhecimentos, práticas e memórias que fazem parte do património cultural e identitário da região.

Na aldeia, decorrem as obras que vão transformar a antiga escola primária no Centro de Estudos de Medicina Popular e Misticismo, onde Rafael Vilamarim prevê que decorra a edição do próximo ano.

Como a antiga escola era um dos palcos do evento, este ano algumas iniciativas vão espalhar-se pelo Forno do Povo e pela Casa do Lavrador, enquanto a feira passará para um largo existente nas proximidades.

O responsável disse que há 40 inscritos para participar nesta feira que reúne artesanato, licores, chás, plantas medicinais, mas também cartomantes, videntes e osteopatas, entre outros.

Rafael Vilamarim realçou a importância do congresso para a dinamização da economia local, para quem produz, para os cafés e para o alojamento local.

A edição que assinala quatro décadas de “um evento profundamente ligado à identidade local” reúne conversas, oficinas, exposições, apresentações de livros, gastronomia, música, teatro e momentos dedicados à medicina popular, às plantas medicinais, à espiritualidade, ao bem-estar e à valorização dos saberes transmitidos entre gerações.

O programa inclui momentos evocativos da história do congresso e das pessoas que contribuíram para o seu percurso, com destaque para o padre Fontes, fundador da iniciativa, e para a tradicional queimada, que este ano chega também à sua quadragésima edição.

No primeiro dia será exibido o filme “A terra dos últimos homens”, de Carlos Pires da Silveira, e decorre um debate dedicado ao poder da comunidade, ao voluntariado, à tradição e ao futuro das aldeias.

À noite, o programa revisita a história do congresso através das memórias e testemunhos de quem acompanhou as primeiras edições e de quem, atualmente, assegura a continuidade da iniciativa.

Sábado arranca com um pequeno-almoço no Forno do Povo, acompanhado por uma demonstração da confeção tradicional do pão em forno comunitário, degustação de produtos da terra e animação musical.

Depois, realizam-se oficinas, exposições, apresentações de livros e várias sessões dedicadas à linguagem das plantas, aos saberes ancestrais, à consciência, ao equilíbrio e à espiritualidade e far-se-á a queimada, esconjurada pelo padre António Fontes, com David Carvalho e o elenco da Filandorra – Teatro do Nordeste.

A queimada é uma bebida feita com aguardente, açúcar e casca de limão e é uma manifestação cultural e simbólica, ligada às tradições populares transmontanas e às crenças em torno da proteção contra o mau-olhado, bruxaria e outros males.

No último dia, a tradição gastronómica estará em destaque com “Cozinha barrosã: hábitos antigos para tempos modernos” e haverá ainda sessões dedicadas à cosmética natural e ao bem-estar.

Sobre a candidatura do congresso a Património Cultural Imaterial de Portugal, anunciada há dois anos, Rafael Vilamarim disse que se está a concluir o dossiê para a submissão final da proposta.

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