O Governo de Hong Kong prometeu hoje rever o sistema de alerta de stress térmico, que não passou do nível mais baixo, apesar de a região chinesa ter registado um novo máximo histórico de temperatura.
Hong Kong registou no domingo a temperatura mais elevada desde que existem registos, em 1884, ao atingir 36,9 °C na sede da agência meteorológica, cujas medições servem de referência para a cidade.
O Observatório de Hong Kong sublinhou que a temperatura chegou a 39,7 graus na zona de Sheung Shui, a mais elevada desde a instalação de estações meteorológicas automáticas, na década de 1980.
No entanto, o Sistema de Alerta de Stress Térmico no Trabalho, sob a tutela do Departamento de Trabalho, manteve-se no nível amarelo, o mais baixo da escala de três níveis.
O Comissário do Trabalho prometeu hoje melhorar o sistema de alerta, que admitiu ser mais sensível a condições de "clima abafado" do que a altas temperaturas e forte radiação solar.
O sistema tem em conta fatores como a temperatura do ar, a humidade, a velocidade do vento e a radiação solar, numa ponderação pensada para se adequar ao clima da região, sublinhou Sam Hui Chark-shum.
"Em Hong Kong, o stress térmico nem sempre acompanha a variação real da temperatura”, disse o dirigente, citado pela imprensa local.
“Quando a humidade é elevada e a velocidade do vento é baixa, a nossa capacidade de arrefecimento cai drasticamente, mesmo que a temperatura não seja tão elevada, e o risco para a saúde associado pode ser maior do que num espaço aberto e bem ventilado com uma temperatura mais elevada", sublinhou Sam Hui.
O sistema, desenvolvido pelo Observatório e pela Universidade Chinesa de Hong Kong, serve para avisar patrões e trabalhadores quando trabalham ao ar livre ou em ambientes fechados sem ar condicionado.
Durante um alerta amarelo, os funcionários devem ter períodos de descanso adicionais. Quando um alerta vermelho ou negro (o mais elevado) está em vigor, os trabalhadores devem suspender as atividades.
Hui sublinhou que as autoridades previam que o alerta fosse para além do nível amarelo, após uma expansão do sistema de monitorização, em abril, de apenas uma para nove estações.
“Quando descobrimos que o nível de alerta não subiu durante o fim de semana, apesar das altas temperaturas, também ficámos com muitas dúvidas”, disse o comissário.
“Estamos a considerar ajustar o limiar de ativação a altas temperaturas. Ao reduzir os limiares de temperatura e radiação solar, seria mais fácil atingir os critérios para emitir um alerta de nível superior”, explicou.
Hui prometeu trabalhar com o Observatório para encontrar “uma abordagem baseada em dados e cientificamente sólida” e concluir uma revisão do sistema até ao final do verão.