O Governo brasileiro anunciou hoje apoio à expansão dos bancos de leite humano em Moçambique e à formação de especialistas para o novo Centro de Neonatologia de Maputo, reforçando a cooperação bilateral na área da saúde materno-infantil.
O compromisso foi assumido pelo ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, no Hospital Central de Maputo, após assinar memorandos de entendimento para reforçar a cooperação técnica entre os dois países nas áreas da saúde materno-infantil, política de sangue e hemoterapia, prevenção e tratamento do cancro, produção de medicamentos e vacinas, saúde digital, formação de profissionais e desenvolvimento institucional dos sistemas públicos de saúde.
"Estaremos juntos, também com a Fundação Oswaldo Cruz, que foi fundamental para o apoio e o desenvolvimento desse banco de leite aqui, estará junto para desenvolver os demais bancos de leite (...) a expetativa é que possa iniciar desde já a definição do local e o projeto do banco de leite humano", disse Alexandre Padilha, ao visitar a infraestrutura.
O governante brasileiro anunciou igualmente apoio à formação de médicos especialistas em neonatologia para o novo Centro de Neonatologia do hospital de Maputo, financiado pelo Japão, para que os profissionais estejam preparados antes da entrada em funcionamento da infraestrutura, cuja conclusão está prevista para o final de 2027.
"Vamos oferecer, a partir de setembro deste ano, a possibilidade de envio de médicos para fazerem formação como neonatologistas, para que possam vir trabalhar neste novo centro", disse o ministro.
Ainda segundo Alexandre Padilha, os memorandos assinados consolidam uma nova etapa da cooperação bilateral, incluindo ainda apoio ao tratamento do cancro, à transformação digital da saúde, ao reforço da política nacional de sangue e à ampliação da capacidade de produção de medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde em Moçambique.
O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, afirmou que a cooperação com o Brasil, com 50 anos, continua a produzir resultados concretos para o Sistema Nacional de Saúde, destacando a inauguração da primeira Escola de Saúde Pública do país, na segunda-feira, o funcionamento do Banco de Leite Humano e os novos acordos assinados durante a visita.
"Este Banco de Leite é o exemplo desta cooperação e, como ouviram aqui o senhor ministro da Saúde do Brasil, em coordenação connosco, vamos expandir para a região centro, na cidade da Beira e também para a cidade de Nampula, nos próximos dias", afirmou Ussene Isse, acrescentando que o atual serviço funciona desde 2018 no Hospital Central de Maputo, com apoio do Brasil através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O governante moçambicano acrescentou ainda que o Brasil manifestou disponibilidade para apoiar a criação de uma unidade de produção local de medicamentos, vacinas e produtos hospitalares, reduzindo a dependência externa do país, bem como reforçar a capacidade da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos, através de um acordo de cooperação entre as entidades reguladoras dos dois países.
"Com o Brasil lançámos também este pedido, este apoio, para, juntos, colocarmos uma fábrica em Moçambique para a produção local de medicamentos, de vacinas, e também de insumos hospitalares ou produtos hospitalares, para termos uma capacidade de resposta local mais rápida e eficiente", declarou.
Na segunda-feira, após uma audiência com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, Alexandre Padilha anunciou também a disponibilidade do Brasil para apoiar a criação do primeiro Instituto Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Cancro em Moçambique, além de manifestar interesse em ampliar a cooperação na produção de medicamentos e vacinas, defendendo que o país reúne condições para se afirmar como um polo regional de produção farmacêutica e tecnologias de saúde em África.
Desde a visita do Presidente do Brasil, Lula da Silva, a Maputo, em novembro passado, que os dois países têm intensificado as relações bilaterais em vários setores.