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Ébola: Unicef alerta para risco de agravamento da situação humanitária na RDCongo

LUSA
10-07-2026 18:47h

A Unicef alertou hoje que a situação humanitária na República Democrática do Congo (RDCongo), epicentro da epidemia de Ébola, pode agravar se o ressurgimento do vírus monopolizar os esforços e prejudicar a prestação de outros cuidados à população.

"O vírus [do Ébola] evolui muito rapidamente e propaga-se muito rapidamente", declarou o diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a África Ocidental e Central, Gilles Fagninou, de regresso de uma missão em Ituri, província do nordeste do Congo e epicentro da crise, alertando para não haver uma concentração "exclusivamente no Ébola".

Segundo Gilles Fagninou, a epidemia desenvolve-se numa região assolada por outros problemas de saúde, tais como "questões relacionadas com a cólera, a poliomielite e até mesmo problemas simples como o acesso das mulheres às maternidades para o parto".

Com as estruturas de cuidados de saúde a sofrerem de uma falta generalizada de recursos, a resposta ao Ébola deve intensificar-se, mas, paralelamente, o esforço deve ser mantido "em todas as outras preocupações sanitárias", defendeu Fagninou.

A título de exemplo, segundo o representante da Unicef, antes da epidemia registavam-se cerca de 130 partos por mês nas unidades de saúde em Ituri, sendo que na atualidade regista-se "30 partos por mês".

"Existe uma crise de confiança entre as comunidades e os centros de saúde. Há o Ébola e temos de concentrar os esforços nisso, mas também há as doenças tradicionais que matam as crianças", referiu.

A RDCongo declarou, em 15 de maio, a 17.ª epidemia de Ébola da sua história.

Esta nova epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe vacina nem tratamento, sendo que recentemente foi lançado um ensaio clínico relativo a dois tratamentos.

É difícil avaliar a verdadeira dimensão da epidemia, e os epidemiologistas e os trabalhadores humanitários temem que a crise se prolongue por vários meses.

Segundo o último balanço oficial das autoridades sanitárias congolesas, publicado na quinta-feira, a doença já infetou 1.792 pessoas e causou 625 mortes.

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