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RD Congo eleva para 492 o número de mortos e para 1.528 os casos confirmados de Ébola

LUSA
05-07-2026 09:17h

O Governo da República Democrática do Congo (RD Congo) elevou hoje para 492 o número de mortos e para 1.528 os casos confirmados do surto de Ébola declarado no leste do país a 15 de maio.

Segundo o mais recente boletim do Ministério da Comunicação e dos Média da RD Congo, com dados recolhidos até quinta-feira, a taxa de letalidade situa-se atualmente nos 32,2%.

Além disso, 628 doentes encontram-se em isolamento ou hospitalizados, enquanto outras 239 pessoas recuperaram da doença.

A taxa de rastreio de contactos é de 81,5%, estando 9.971 desses contactos sob vigilância.

“As atividades de sensibilização, sessões de educação, visitas domiciliárias e formação de agentes comunitários prosseguem em larga escala para reforçar a adesão das comunidades às medidas de prevenção e à procura precoce de cuidados de saúde”, acrescentou o ministério.

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio na província de Ituri, que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul e constitui o epicentro da epidemia, mas alastrou também às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A epidemia propagou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos de infeção, incluindo 15 considerados importados da RD Congo, entre os quais se registaram duas mortes.

Entretanto, o Governo francês confirmou ter identificado o primeiro caso positivo de doença provocada pelo vírus do Ébola no país, correspondente a um médico que regressava de uma missão na RD Congo que, entretanto, recuperou e está fora de perigo de vida.

O surto corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de propagação da epidemia na África Subsaariana e “baixo” à escala mundial.

A OMS estima que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto e classificou a epidemia, a 17 de maio, como uma “emergência de saúde pública de âmbito internacional”.

Trata-se já da terceira pior epidemia de Ébola de que há registo.

O atual surto é apenas ultrapassado pela epidemia que afetou a África Ocidental entre 2014 e 2016, causando cerca de 11.000 mortos e 28.000 infeções, e pela que atingiu o leste da RD Congo entre 2018 e 2020, provocando 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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