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Moçambique/Ataques: MSF realizaram mais de 81.000 consultas desde 2021 em Palma

Lusa
03-07-2026 15:03h

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) estimam ter realizado mais de 76 mil consultas ambulatórias e mais de 5.300 internas desde 2021 no distrito de Palma, mas alertam para uma redução de 68% do acompanhamento de pessoas com VIH.

"No final de março de 2021, grupos armados não estatais que depois se afiliaram ao Estado Islâmico de Moçambique atacaram e saquearam a cidade de Palma, na província de Cabo Delgado, Moçambique. Durante vários dias de cerco, mais de 1.000 pessoas teriam sido mortas e quase 67.000 deslocadas", lê-se num balanço dos MSF, a que a Lusa teve hoje acesso.

No documento, aquela Organização Não-Governamental (ONG) refere que, à medida que as condições de segurança evoluíram gradualmente, as pessoas começaram a regressar ao distrito de Palma, no final de 2021 e início de 2022, com as necessidades de saúde a mudarem porque "a oferta de atendimento de emergência deu lugar ao imenso desafio de reconstruir os serviços rotineiros".

"A MSF expandiu as clínicas móveis para áreas carentes em todo o distrito de Palma, enquanto apoiava os serviços essenciais no hospital distrital de Palma e em outras instalações. O atendimento à saúde materno-infantil, os serviços de saúde sexual e reprodutiva, o atendimento para internação e ambulatorial, vacinação e serviços de saúde mental foram progressivamente restabelecidos, em colaboração com o Ministério da Saúde", descreve-se no balanço.

Segundo a MSF, nos cinco anos que se seguiram à fase mais aguda da emergência em Palma - entre 2021 e junho de 2026 -, foram realizadas mais de 76.000 consultas ambulatórias e 5.300 consultas de internamento, apoiados mais de 4.100 partos e tratados mais de 20.000 casos de malária.

"No entanto, o acesso ao cuidado permaneceu frágil, especialmente para moradores de áreas remotas. A distância, os custos de transporte e a insegurança continuaram afetando a capacidade das pessoas de acessar o tratamento", avança-se no documento.

De acordo com o documento, anos de conflito e deslocamento também impactaram severamente o cuidado para pessoas que vivem com o Virus de Imunodeficiência Humana (VIH) e tuberculose (TB), que exigem tratamento de longo prazo e ininterrupto.

"Antes do ataque de 2021, registos do Ministério da Saúde mostram que cerca de 5.000 pessoas estavam recebendo tratamento para VIH no distrito de Palma. O conflito prejudicou gravemente os serviços, interrompendo o cuidado das pessoas", alertam os Médicos Sem Fronteiras, acrescentando-se que em 2025, apenas cerca de 1.600 pessoas estavam ativamente em tratamento para VIH.

As equipas médicas acrescentam que, quando os serviços de saúde começaram a operar com mais regularidade no final de 2023 em Palma, o cuidado para VIH e TB surgiu como uma "lacuna crítica".

A organização refere que, para tentar enfrentar esses desafios, investiram em engajamento comunitário, aconselhamento e serviços de saúde mental, trabalhando ao lado de agentes comunitários de saúde, parteiras e líderes locais para reconstruir a confiança na saúde.

"Como parte desse trabalho, a MSF lançou uma campanha de 'teste e tratamento' em seis comunidades do distrito de Palma em 2025. Essa abordagem combinava atendimento porta a porta, testes em pontos de encontro públicos e fortalecimento do acompanhamento dos pacientes", acrescenta a ONG.

Segundo os Médicos Sem Fronteiras, nesses esforços, quase 5.000 pessoas foram testadas para VIH, quase um terço delas pela primeira vez.

"Embora a ligação inicial ao tratamento tenha sido baixa, o acompanhamento melhorado aumentou o número de pessoas que iniciaram tratamento antirretroviral para VIH de 15% para 77% entre as rodadas de campanha", conclui-se.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, com incursões também registados em Nampula, principalmente no ano passado, resultando em mais de 82 mil deslocados.

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