A principal coligação da oposição venezuelana, reunida na Plataforma Unitária Democrática (PUD), reiterou hoje que os dois sismos registados há uma semana na Venezuela evidenciaram “graves fragilidades” do Estado na resposta a uma emergência desta dimensão.
Os dois sismos provocaram quase 2.000 mortos e 10.571 feridos, segundo os dados mais recentes do Governo, que ainda não atualizou o número de desaparecidos, estimados por várias organizações internacionais, como a ONU, em mais de 50.000.
“Esta tragédia também pôs em evidência as graves fragilidades do Estado para responder a uma emergência desta magnitude, consequência de anos de degradação institucional, cujo preço os venezuelanos pagam hoje”, afirmou a PUD na rede social X.
A coligação colocou-se ao serviço de todos os venezuelanos afetados pelos sismos e manifestou o compromisso de “acompanhar e contribuir para os esforços de solidariedade de que o país necessita neste momento”.
“A todos os que hoje sofrem a perda de um familiar, da sua casa ou da sua tranquilidade, reiteramos que não estão sozinhos. A Venezuela voltará a erguer-se com a solidariedade do seu povo e com instituições capazes de proteger a vida de todos", acrescentou.
Até ao momento, o Governo confirmou o resgate de 6.461 pessoas e indicou que 855 edifícios sofreram danos, dos quais 189 colapsaram totalmente.
Os prejuízos provocados nas habitações e em bens económicos, como veículos, edifícios e estabelecimentos comerciais, ascendem, numa estimativa preliminar, a 6.700 milhões de dólares (cerca de 5.700 milhões de euros), segundo uma avaliação feita por satélite baseada na metodologia RAPIDA do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Segundo o Governo, foram prestados apoios a 80.870 famílias, enquanto na zona afetada estão mobilizados 3.660 operacionais estrangeiros de busca e salvamento, 148 cães de resgate, 49 veículos de apoio e 26.121 elementos das forças venezuelanas.
Além disso, 15.467 pessoas inscreveram-se como voluntárias para participar nas operações de socorro.
Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão dados como desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia (UE), enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Os sismos ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.