A agência de saúde pública da União Africana (UA) instou hoje os Estados-membros a reforçarem os controlos nas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres para conter a propagação da epidemia de ébola declarada no leste da República Democrática do Congo.
Numa carta enviada aos ministros da saúde destes países, citada pela EFE, o diretor-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, apelou a medidas coordenadas no sentido de reduzir o risco de transmissão transfronteiriça sem afetar a mobilidade, o comércio ou as operações humanitárias.
“Os controlos de saída oferecem aos países uma ferramenta prática, visível e baseada na ciência para reduzir os riscos, tranquilizar as comunidades e evitar interrupções desnecessárias nas viagens, no comércio e nas operações de resposta”, salientou Kaseya.
A carta foi enviada antes de uma reunião de alto nível agendada para 16 de junho, entre chefes de Estado africanos e parceiros internacionais, para mobilizar recursos e apoio político para acelerar a resposta à epidemia.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades congolesas, o surto declarado a 15 de maio já provocou 115 mortes e 598 casos confirmados.
A epidemia alastrou para o vizinho Uganda, onde foram detetadas até à data 19 infeções, incluindo 14 casos considerados importados da República Democrática do Congo, e registadas duas mortes.
O surto é provocado pela estirpe Bundibugyo, que tem uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe atualmente vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera o risco elevado para a África Subsariana e baixo a nível global.