O Governo moçambicano alargou a campanha de vacinação animal até julho, após constrangimentos logísticos, prevendo investir 515 mil euros para retomar a produção nacional de vacinas, anunciou hoje o ministro da Agricultura.
De acordo com o ministro Roberto Albino, o alargamento do prazo surge para responder aos constrangimentos logísticos da campanha que se iniciou em 29 de abril, desde logo a chegada da vacina em quantidades fracionadas, “não permitindo” a vacinação dos animais até 30 de maio, conforme estava previsto.
“Estamos a estender a vacinação até julho, para permitir que nenhuma cabeça de gado bovino fique por ser vacinado por causa dos atrasos logísticos que estamos a enfrentar”, referiu Roberto Albino, na abertura da reunião nacional de Sanidade Animal.
O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas recordou que nesta campanha estão a ser vacinados 2,4 milhões de bovinos contra carbúnculo hemático, um milhão contra carbúnculo sintomático, 2,4 milhões contra febre aftosa e 1,3 milhões contra dermatose nodular.
O governante manifestou ainda a intenção de investir na capacidade interna de produção de vacinas, para fazer face a escassez: “Podemos fazer as vacinas em Moçambique. Aquelas que pudermos fazer, vamos fazer e só dependermos da importação onde não temos capacidade de fazer vacina de qualidade”.
Roberto Albino defendeu ainda o fortalecimento da Direção de Ciências de Animais e do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique para a produção local de vacinas de carbúnculo hemático e sintomático, considerando “crucial”, num contexto em que a pecuária assume um papel “estratégico” para o desenvolvimento do país.
“Prevemos um investimento de cerca de 600 mil dólares [515 mil euros] para a retoma da produção de vacinas contra o carbúnculo hemático e sintomático e a continuação da produção de vacinas contra a doença de ‘NewCastle’ para 2027”, anunciou o ministro, referindo que os atuais desafios para garantir vacinas demonstram uma crise global, sem que os produtores estejam preparados para garantir as reservas necessárias.
Em 2025, o subsetor pecuário registou um crescimento, demonstrando a sua importância na economia nacional, destacou Roberto Albino na mesma ocasião, apontando ainda a necessidade de cuidados sanitários, incluindo com as doenças “emergentes e transfronteiriças”.
“Estas doenças não representam apenas perdas económicas. Elas reduzem a produtividade, limitam o comércio, afetam a renda familiar, comprometem investimentos, criam a segurança alimentar e, muitas vezes, constituem ameaças diretas à saúde pública. Por isso, (...) não deve ser visto como custo. Investir em sanidade animal é investir na economia, na saúde pública, na segurança alimentar e no futuro do país”, acrescentou.
Num comunicado divulgado em 29 de abril, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas assinalou que o Governo moçambicano está determinado em prevenir a ocorrência de doenças nos animais - particularmente nos bovinos -, que possam comprometer os níveis de produção e produtividade pecuária, com impactos significativos na economia nacional.
De acordo com o ministério, a determinação do Governo relativamente à vacinação animal reforça o papel do sector pecuário como um dos pilares fundamentais da economia nacional, com contribuição significativa para a segurança alimentar e nutricional, geração de rendimento e criação de emprego para jovens e mulheres, tanto nas zonas rurais como urbanas.
Em 14 de abril, o Governo avançou que em relação a 2024 o número de focos de doença animal em Moçambique aumentou 63% em 2025, para 542, matando 25 mil bovinos, antecipando o lançamento da campanha de vacinação nas áreas de risco.