Pelo menos 25% das mortes confirmadas por Ébola na República Democrática do Congo são menores de 15 anos, afirmou hoje a organização Save the Children, que apela ao reforço dos serviços de saúde e à prevenção.
A Organização Não-Governamental (ONG) referiu que, segundo os dados divulgados hoje pelo Governo congolês, as crianças representam 25% das 17 mortes confirmadas por Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), nação vizinha de Angola, embora o número de casos reais seja provavelmente significativamente mais elevado, já que estes dados incluem apenas casos confirmados em laboratório.
Dessas mortes confirmadas, 14% correspondem a crianças com menos de 5 anos, referiu.
Suspeita-se que cerca de 1.077 pessoas tenham contraído Ébola, registando-se 238 mortes suspeitas desde que a epidemia foi declarada a 15 de maio, indicou a Save the Children.
As crianças estão entre o grupo mais vulnerável nesta epidemia, indicou a ONG.
"Este episódio de Ébola está a mover-se a uma velocidade aterradora. Já respondi a vários surtos de Ébola ao longo dos anos, mas esta é a propagação mais rápida que alguma vez vi", declarou o médico Babou Rukengeza, responsável pela resposta ao Ébola da Save the Children na RDCongo.
Além de estarem expostas ao risco direto de infeção, enfrentam grandes consequências indiretas, tais como a interrupção de serviços essenciais de saúde e nutrição, a perda de pais e cuidadores e de acesso às escolas, o estigma e o sofrimento psicossocial, enumerou.
O Ébola é uma doença grave e frequentemente fatal, transmitida através do contacto direto com fluidos corporais, ou indireto através de materiais contaminados ou superfícies infetadas.
Os sintomas incluem febre, fraqueza, vómitos, diarreia, dores musculares e, em casos graves, hemorragias.
A Save the Children forneceu cloro às autoridades de saúde em Bunia, no leste do país, para a descontaminação de instalações e leite terapêutico a um centro para crianças desnutridas e mães a amamentar com suspeita de infeção pelo vírus Ébola.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apelou hoje a um "cessar-fogo imediato" de todas as partes em conflito no leste da RDCongo para se tentar conter a epidemia.
Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola no país ascendem a mais de 900, com cerca de 220 mortes, segundo a OMS.
A RDCongo é regularmente afetada por surtos e epidemias do vírus Ébola, mas a atual epidemia foi causada pela estirpe Bundibugyo, para a qual não existem tratamentos ou vacinas específicos e com uma taxa de letalidade que varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.
Neste sentido, é menos letal do que a mais conhecida variante Zaire, com taxas de mortalidade entre 60% e 90% em surtos anteriores, e para a qual existem vacinas e tratamentos.