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Macau reforça rastreio de viajantes face a surto de ébola na RDCongo e Uganda

Lusa
18-05-2026 07:53h

Macau anunciou hoje o reforço do rastreio dos viajantes que cheguem à região chinesa vindos ou que passaram pela República Democrática do Congo (RDCongo) ou pelo Uganda, devido ao surto de ébola.

Num comunicado, os Serviços de Saúde de Macau (SSM) prometeram "reforçar ainda mais o rastreio de saúde das pessoas provenientes de ou que fizeram escala em áreas afetadas" pelo surto.

Os SSM defenderam que o território "sempre teve um mecanismo sólido de monitorização de doenças infecciosas e de quarentena fronteiriça" e que "o risco imediato representado pelo vírus em Macau é baixo".

No domingo à noite, o Serviço para a Proteção da Saúde (CHP, na sigla em inglês) da vizinha região de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto local vindos de África.

Apesar de terem implementado o mais baixo dos três níveis de alerta, as autoridades sublinharam que nunca foi registado em Hong Kong qualquer caso de ébola e que não existem voos diretos entre o território e a RDCongo ou o Uganda.

"O CHP consultou o setor e descobriu que os viajantes provenientes destas regiões optam geralmente por fazer escala em Adis Abeba, a capital da Etiópia", refere o comunicado, divulgado no domingo à noite.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou no domingo uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado, mas determinou que o surto "não preenche os critérios para uma emergência pandémica".

O surto já causou pelo menos 88 mortos, com 336 casos suspeitos, na RDCongo, incluindo em Goma, uma importante cidade no leste do país, controlada pelo grupo armado antigovernamental M23. Na capital do Uganda, Kampala, foram reportados dois casos confirmados, sem ligação aparente, entre pessoas que viajaram da RDCongo.

A OMS alertou que "a elevada taxa de positividade das amostras iniciais e a confirmação de casos em Kampala e Kinshasa [capital da RDCongo] apontam para um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detetado atualmente".

A OMS salientou ainda que, ao contrário de outras estirpes de ébola, "não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo".

A organização instou os Estados vizinhos - incluindo Angola - e a comunidade internacional a coordenar estreitamente os esforços para conter a propagação e sublinhou que "nenhum país deve fechar as suas fronteiras ou impor restrições às viagens e ao comércio", alertando que tais medidas poderiam ser contraproducentes.

A RDCongo sofreu um surto de ébola entre agosto e dezembro de 2025, com pelo menos 34 mortes. O surto mais mortífero provocou quase 2.300 mortes em 3.500 casos entre 2018 e 2020.

O ébola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa, matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.

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