O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) considerou hoje "muito baixa" a probabilidade de infeção pela nova estripe do vírus ébola na Europa após a República Democrática do Congo (RDCongo) ter declarado um novo surto.
Cerca de 246 casos suspeitos foram já notificados e 65 pessoas morreram, de acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), principalmente na província de Ituri (leste).
O ECDC diz, contudo, que os resultados laboratoriais preliminares indicam tratar-se de "uma espécie de vírus Ébola diferente do Zaire", a variante mais comum, estando ainda em curso análises complementares para identificar o agente patogénico.
"Embora a situação esteja em evolução, a probabilidade de infeção para as pessoas que vivem na UE/EEE [União Europeia/Espaço Económico Europeu] é considerada, neste momento, muito baixa", referiu a agência europeia, justificando a avaliação com a possibilidade limitada de importação e de transmissão posterior em solo europeu.
Para os residentes da UE que se encontrem na província de Ituri, ou para quem viaje para a região, o risco é classificado como "baixo".
A província de Ituri tem um histórico de surtos graves, tendo sido fustigada entre 2018 e 2020 pela variante Zaire, num episódio que registou mais de três mil casos e foi declarado emergência de saúde pública de importância internacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O surto mais recente nesse país vizinho de Angola ocorreu entre setembro e dezembro de 2025, e provocou 45 mortes e 64 casos na província de Kasai (centro).
O ECDC adianta que está a monitorizar a situação através de vigilância epidemiológica e mantém-se em "contacto estreito" com a Comissão Europeia, a OMS e o Africa CDC, prometendo atualizar a avaliação de risco assim que surjam novos dados.
Esta é a 17.ª epidemia de ébola registada na RDCongo desde a descoberta da doença em 1976, no então Zaire, antigo nome deste país da África Central.
O vírus Ébola provoca febre hemorrágica altamente contagiosa e transmite-se através de fluidos corporais, causando sintomas como febre, vómitos, hemorragias e diarreia.
O leste da RDCongo enfrenta há décadas uma situação de violência armada e instabilidade, dificultando frequentemente as operações de resposta sanitária.