A saúde animal e as políticas de prevenção de pandemias de origem animal são alvo de "subfinanciamento crónico", apesar de 60% das doenças infecciosas humanas terem origem em animais, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde Animal.
Gripe aviária, febre aftosa, mosca parasita carnívora, dermatose nodular contagiosa, a situação é "mais urgente agora" do que há um ano, afirmou no relatório anual a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que conta com 183 membros e colabora com as agências da ONU.
O período coberto pela segunda edição do relatório (janeiro 2025 – março 2026) exclui qualquer menção ao hantavírus, potencialmente transmitido por roedores.
Mas a OMS recordou que muitas pandemias têm origem em "perturbações ecológicas contínuas", em que espécies afetadas pela desflorestação, perda de habitat ou intrusão humana se tornam "fontes de doenças emergentes, aproximando humanos e animais selvagens, incluindo mosquitos, roedores e morcegos".
"O risco acrescido de transmissão de doenças entre a fauna selvagem, os humanos e os animais domésticos ameaça a saúde de todos. Isto exige uma ação urgente e intersetorial", defendeu a organização.
Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas conhecidas provêm dos animais e 75% de novos agentes patogénicos humanos detetados nas últimas décadas têm origem animal, acrescentou.
No entanto, os sistemas concebidos para "prevenir a próxima crise – vigilância de doenças animais, pessoal veterinário, programas de vacinação, capacidade dos laboratórios – recebem menos de 0,6% das despesas mundiais de saúde", sublinhou a organização.
A OMSA denunciou os cortes orçamentais, nomeadamente nas ajudas públicas ao desenvolvimento ou prevenção, apesar de os benefícios serem enormes.
"Prevenir custa menos do que reagir a crises", enfatizou a diretora-geral da organização, Emmanuelle Soubeyran.
A OMSA deu como exemplo a raiva, que causa 59.000 mortes humanas evitáveis por ano, com um custo estimado em 8,6 mil milhões de dólares (7,3 mil milhões de euros) para os tratamentos, sobretudo nas zonas mais pobres.