SAÚDE QUE SE VÊ

Hantavírus: Médicos britânicos enviados de paraquedas para ilha Tristão da Cunha

Lusa
10-05-2026 12:33h

O Governo britânico fez chegar de paraquedas à ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, médicos e material sanitário para tratar um homem residente neste território que viajou no cruzeiro do surto de hantavírus.

Num comunicado, o Ministério da Defesa do Reino Unido explicou hoje que saltaram seis paraquedistas, incluindo dois médicos, para esta ilha, um território britânico ultramarino onde vivem 221 pessoas e não tem pista para aterragem de aviões.

Tristão da Cunha integra um grupo de ilhas no Atlântico Sul que integram também Santa Helena e Ascensão, todas território britânico.

O homem residente em Tristão da Cunha que está com sintomas de doença viajou no navio "MV Hondius" e desembarcou nestas ilhas no final de abril, juntamente com outros passageiros, durante uma das escalas previstas pelo cruzeiro.

Segundo o Governo britânico, este homem enquadra um caso suspeito de hantavírus, mas não há ainda confirmação laboratorial de qualquer diagnóstico.

Uma equipa especializada das forças armadas britânicas fez "um salto audaz em paraquedas" para levar ajuda médica "de emergência" a Tristão da Cunha, segundo o comunicado do Ministério da Defesa divulgado hoje.

Além de terem saltado para a ilha seis paraquedistas, foi lançado material para assistência m+médica, como oxigénio, a partir de uma aeronave da força aérea britânica.

O voo inicial saiu da base aérea de Brize Norton, em Inglaterra, e percorreu 6.788 quilómetros, até Ascenção. Depois, noutra aeronave, foram percorridos mais 3.000 quilómetros, para lançar o material e para saltarem os paraquedistas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no barco "MV Hondius". Três pessoas morreram.

Depois de ter estado de quarentena em Cabo Verde, o paquete, com 147 pessoas a bordo, chegou hoje a Tenerife, nas ilhas espanholas das Canárias, onde foi já iniciada a operação para desembarcar e repatriar mais de 100 tripulantes e passageiros, que não estavam doentes nem suspeitos de estarem infetados.

A operação deverá prolongar-se até segunda-feira à tarde, segundo o Governo de Espanha.

Deverão manter-se no barco pelo menos 30 membros da tripulação, que seguirão viagem, previsivelmente na segunda-feira, para levar o paquete até aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do "MV Hondius" e de onde é o armador.

O desembarque e repatriamento das pessoas a bordo faz-se em zonas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.

Está também isolado o percurso de cerca de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto.

O transporte neste percurso é feito em veículos militares.

O definido é que tripulantes e passageiros só saem do barco quando o avião que os vai repatriar está já preparado para descolar e são levados diretamente à pista do aeroporto.

A operação está a ser coordenada por Espanha, pelos Países Baixos, pela OMS e pelo ECDC.

O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.

A OMS considera que o risco atual para a saúde pública causado pelo hantavírus é baixo.

MAIS NOTÍCIAS