Os sindicatos CESP, SEP e SMZS exigem a negociação de acordos de empresa com horários regulados e progressões para os trabalhadores do SAMS por parte do Mais Sindicato, que manifestou à Lusa "estranheza" por não ter recebido qualquer proposta.
“No decurso dos contactos e reuniões promovidas com os trabalhadores do Serviço de Assistência Médico-Social (SAMS), nos últimos dias, pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), ficou claro que os trabalhadores do Mais Sindicato desconhecem totalmente quaisquer negociações de acordos de empresa”, referem as três estruturas sindicais em comunicado.
Segundo sustentam, “também ficou claro que os trabalhadores rejeitam acordos de empresa sem possibilidade de desenvolvimento profissional e progressão na carreira, em que a mudança de escalão pode nunca vir a acontecer”.
Isto porque, salientam, “atualmente a generalidade dos trabalhadores do SAMS não progride na carreira, alguns desde 2013-2014”.
Ao mesmo tempo, o SEP, o SMZS e o CESP consideram “totalmente inaceitável que os horários de trabalho possam vir a ser desregulados, com semanas de trabalho de 60 horas semanais, sem qualquer compensação por pagamento de trabalho extraordinário”.
Neste contexto, os três sindicatos dizem ter solicitado, na passada terça-feira, uma reunião ao presidente da direção do Mais Sindicato do Sector Financeiro, manifestando-se disponíveis para apresentar propostas negociais em defesa da negociação coletiva.
“Aguardamos que haja disponibilidade do Mais Sindicato para negociar acordos de empresa com horários regulados, que permitam aos trabalhadores conciliarem a sua vida profissional, com a sua vida pessoal e familiar. De igual modo, os trabalhadores pretendem que os acordos de empresa garantam carreiras profissionais, com justas expectativas de promoções por antiguidade, a exemplo das convenções coletivas de instituições congéneres: Misericórdias e IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social]”, sustentam.
Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do Mais Sindicato confirmou a receção de um ofício do SEP solicitando a “negociação das carreiras profissionais que garantam expetativas de evolução e de estabilidade laboral”.
"Este pedido, ao qual já respondemos, mereceu a nossa estranheza, atento o facto de o SMZS e o CESP não terem, até ao momento, apresentado qualquer proposta negocial de qualquer natureza e, relativamente ao SEP, estiveram em curso negociações durante longos meses que terminaram em março último, não se tendo obtido acordo", referiu.
O Mais Sindicato recordou ter sido celebrado, em março passado, um acordo de empresa com o Sindicato dos Enfermeiros (SE), aplicável aos enfermeiros, "com uma significativa valorização desta categoria profissional, nomeadamente ao nível de todas as rubricas remuneratórias".
Adicionalmente, diz, "encontra-se em fase final de negociação um acordo de empresa com o Sitese [Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços], que abrange os profissionais que não são da saúde, e com o SIM [Sindicato Independente dos Médicos] relativamente aos médicos".
Neste contexto, manifesta "total disponibilidade e interesse em analisar as propostas dos sindicatos que sejam representativos dos trabalhadores do Mais Sindicato", logo que estas lhe sejam apresentadas.
O SAMS é um subsistema de saúde que oferece cobertura médica e social aos sócios do Mais Sindicato e respetivos agregados familiares.