O Governo são-tomense lançou hoje três estratégias para promover a saúde e dar “resposta estruturada”, de forma interministerial e com envolvimento comunitário, para reduzir as doenças não transmissíveis responsáveis por mais de 60% da mortalidade no país.
Trata-se do Plano Estratégico Multissetorial para as Doenças Não Transmissíveis, o Plano Estratégico Nacional de Controlo do Cancro e a Estratégia Nacional de Saúde Comunitária, desenvolvidos com apoio técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS) para serem implementados até 2030, num orçamento de cerca de 10 milhões de euros.
“Durante muitos anos olhamos para a saúde resumido ao sistema de saúde, principalmente nas componentes de hospitais, centros de saúde, médicos, enfermeiros e medicamentos, mas hoje sabemos, com base nas evidências, que a saúde vai muito além disso”, sublinhou o primeiro-ministro Américo Ramos, que presidiu ao evento de apresentação dos documentos.
A cerimónia ficou marcada pela assinatura de um memorando de compromisso interministerial, envolvendo os Ministérios da Saúde, da Educação, da Agricultura, do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, das Infraestrutura e dos Assuntos Sociais.
Segundo o primeiro-ministro isto simboliza “de forma clara que a saúde é responsabilidade do governo” e que cada Ministério “tem um papel direto na saúde” da população.
“Sabemos hoje que a maioria dos determinantes da saúde está fora do setor da saúde. E isso muda tudo. Muda a forma como governamos, muda a forma como investimos e, sobretudo, muda a forma como assumimos as responsabilidades”, sublinhou o chefe do Governo são-tomense.
As doenças não transmissíveis constituem atualmente, segundo o primeiro-ministro, “uma das maiores preocupações” e “representam uma ameaça crescente” ao desenvolvimento económico e social do arquipélago.
Segundo dados apresentados durante o evento, a hipertensão “afeta cerca de 30,6% da população adulta, sendo a principal causa de morbilidade, internamentos e mortalidade” e estima-se que seja responsável por cerca de 70% das mortes associadas às Doenças Não Transmissíveis (DNT), com “um aumento de aproximadamente 90% na mortalidade entre 2020 e 2024”.
Apontou-se ainda que “o cancro representa cerca de 13% da mortalidade e é uma das principais causas de evacuação médica internacional”, enquanto a diabetes mellitus “também apresenta uma tendência preocupante, com a sua prevalência a aumentar de 8,6% para 13%, refletindo o crescimento sustentado das doenças crónicas.
A diretora do Programa de Luta Contra Doenças Não Transmissíveis, Miryan Cassandra, sublinhou que as novas estratégias demonstram que “é preciso mudar a visão e forma” como se tem tratado as doenças e as pessoas, “focando mais nos cuidados de saúde primários, na prevenção e no equilíbrio e interligação entre os cuidados primários e os mais avançados”.
O coordenador residente do Sistema das Nações Unidas, Eric Overvest, sublinhou que os três instrumentos fazem a diferença porque “reforçam os cuidados de saúde primários e aproximam os serviços das populações, com maior foco na prevenção e no diagnóstico precoce”.
“Promovem uma resposta conjunta de todo o Governo, tornando a saúde uma responsabilidade partilhada e porque estruturam, pela primeira vez, uma resposta completa ao cancro” desde a prevenção aos cuidados paliativos, referiu.
“O Sistema das Nações Unidas reafirma, por isso, o seu compromisso de continuar a trabalhar lado a lado com o Governo, apoiando a implementação destas estratégias com foco em resultados concretos, mensuráveis e duradouros”, garantiu Eric Overvest.