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Autoridades moçambicanas alertam que desinformação dificulta combate à cólera

Lusa
17-03-2026 20:47h

Autoridades moçambicanas alertaram hoje que a desinformação está a dificultar as ações de sensibilização sobre a origem e prevenção da cólera na província de Nampula, norte, um dos principais epicentros da doença.

“É verdade que uma das grandes barreiras é a questão da desinformação na nossa província, com focos nos distritos de Mossuril e Meconta, que têm culminado em agressões e destruição de residências de líderes locais, incluindo agentes polivalentes”, disse Nalcil Biosson, do setor da saúde pública em Nampula.

Segundo o responsável, a desinformação tem condicionado a adesão das comunidades às medidas de prevenção e controlo da doença, agravando a propagação do surto em algumas zonas.

Os casos mais graves acontecem nos distritos de Memba, Erati, Nacala Porto, Monapo, Ilha de Moçambique, Mogincual, Mogovolas, Meconta, Mossuril e Nacala Velha.

Moçambique registou 63 novos casos de cólera em 24 horas, somando 7.326 infetados na atual epidemia, que totaliza 82 óbitos desde setembro, indicam dados oficiais divulgados no dia 12 de março.

De acordo com o mais recente boletim sobre a evolução da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública e com dados de 03 de setembro a 09 de março, do total de 7.326 casos neste período, 3.207 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 38 mortos, e 2.625 em Tete, com 32 óbitos, além de 1.006 em Cabo Delgado, que totaliza oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado indica 124 casos e um morto na província da Zambézia, 106 casos e dois mortos em Manica, 256 casos e um morto em Sofala, um caso na cidade de Maputo e outro na província de Gaza.

No surto anterior no país, entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025, foram registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já supera o número de doentes e de óbitos em menos tempo.

As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença então já presente em 22 distritos, avançando com uma campanha de vacinação de 3,5 milhões de pessoas.

O Governo de Moçambique pretende eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030, segundo um plano aprovado em 16 de setembro pelo Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

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