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Doenças crónicas e natalidade desafiam sistema de saúde moçambicano - ministro

Lusa
09-03-2026 16:14h

O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, admitiu hoje que doenças crónicas e a elevada taxa de natalidade são desafios e pressionam o Sistema Nacional de Saúde, quando nascem cerca de 1,4 milhões de crianças anualmente.

“Vamos investir cada vez mais no subsistema comunitário, os cuidados de saúde primário na porta de casa, começar lá o primeiro contacto com a unidade sanitária, porque o fardo das doenças crónicas vai ser desafiador para o nosso país”, disse o ministro, na inauguração, em Maputo, do primeiro Laboratório de Simulação Realística de Técnicas de Enfermagem em Cuidados Intensivos.

Ussene Isse prometeu ainda esforços do Governo nos investimentos na saúde com vista a salvar vidas.

“Há outro fator que impacta hoje na prestação de cuidados de saúde no nosso país: é a população. Nascem neste país 1,4 milhões de crianças todos os anos, estão a imaginar isso. Isto vai trazer grande pressão para os serviços de saúde. Cinco a seis filhos em média [por família] no nosso país. O planeamento familiar não funciona, temos este desafio também, trabalhar ao nível da prevenção, da promoção, para começar a afinar a máquina”, disse.

Neste sentido, o ministro pediu o uso do laboratório de Simulação Realística de Técnicas de Enfermagem em Cuidados Intensivos para melhorar a formação dos profissionais da saúde, criando impacto na qualidade de vida dos pacientes.

O laboratório de Simulação Realística de Técnicas de Enfermagem em Cuidados Intensivos é uma infraestrutura erguida no Instituto de Ciências de Saúde de Infulene, na cidade de Maputo, com financiamento do Governo italiano, que passa a contar com laboratórios de cuidados intensivos e anestesiologia, além da reabilitação do laboratório de terapia intensiva, material pedagógico de planificação e formação e uma plataforma de pesquisa científica que permite acesso a mais de 2.000 livros.

Segundo informação avançada no local, este laboratório permite desenvolver competências técnicas no tratamento de doenças, aumentando as habilidades dos estudantes, oferecendo cenários realísticos através de manequins de alta fidelidade, com caraterísticas físicas e fisiológicas humanas, que expõem os estudantes a cenários práticos e críticos no contexto de tratamento de doenças. 

Para o ministro da saúde, este laboratório vai melhorar a formação de estudantes, aos quais pediu “atitude, vontade e entrega”, indicando que esta área é prioridade para o país.

“Estão a acompanhar que o perfil de doenças no nosso país está a mudar, as doenças crónicas não transmissíveis e o trauma são dos principais problemas de saúde pública em Moçambique e grande parte destes doentes precisam de tratamento em cuidados intensivos”, acrescentou Ussene Isse, indicando que o laboratório é a resposta do Governo para atender a demanda no Serviço Nacional de Saúde.

O ministro da Saúde considerou ainda um “ato histórico” a entrega do primeiro laboratório de simulação realística de técnicas de enfermagem em cuidados intensivos, lembrando que a maior parte da população moçambicana é jovem, sendo preciso apostar na sua formação enquanto “motor de desenvolvimento”.

“Vamos aproveitar esta oportunidade que temos para formar moçambicanos com rapidez, trazer gente com capacidade, gente com conhecimento, mas não se esqueçam, comprometidos com humanização, atender bem ao próximo”, frisou.

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