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Governo moçambicano admite falta de alguns medicamentos e material médico

Lusa
27-02-2026 11:59h

O Ministério da Saúde moçambicano admitiu hoje “algumas ineficiências” com a falta de medicamentos e material médico, mas rejeita o colapso do Sistema Nacional de Saúde, criticando antes a corrupção e mau atendimento de alguns funcionários.

“Queremos igualmente reconhecer que o sistema nacional de saúde está a enfrentar algumas ineficiências, algumas faltas pontuais de alguns medicamentos e material médico cirúrgico em algumas unidades sanitárias, que não são todas”, disse o diretor Nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, em conferência de imprensa, em Maputo.

Segundo o responsável, a falta de alguns medicamentos e material médico em unidades de saúde deve-se também à vandalização e destruição de armazéns durante os protestos pós-eleitorais de 2024, que criaram “algumas dificuldades” no ciclo normal de provisão destes produtos em todo o país.

Entre as causas, apontou ainda para a redução do financiamento externo ao Orçamento do Estado, incluindo cortes de financiamento de projetos pelos Estados Unidos, com o Governo a adiantar que está também a gerir uma dívida com os fornecedores que condicionam a entrega dos materiais aos pagamentos das dívidas, além dos impactos das mudanças climáticas, que influenciam na logística.

“Nós reconhecemos estas dificuldades que estamos a ter, que são dificuldades pontuais em algumas unidades sanitárias, mas isto também é associado a algumas dificuldades que estamos a ter a nível do setor da saúde. Reconhecemos que tem havido algumas lacunas na gestão e controlo destes insumos médicos que vão para unidades sanitárias” desviados para a venda no mercado informal, disse o responsável.

Avançou ainda que o país tem medicamentos essenciais para tratar doenças como malária, cólera, diarreia, hipertensão arterial, diabetes e acidente vascular cerebral, enquanto o Governo tenta evitar a falta de outros insumos recorrendo a apoios externos, tendo recebido esta semana dois contentores com 794 mil luvas e 200 mil cateteres.

O Governo espera ainda medicamentos e material cirúrgico avaliado em 30 milhões de dólares (25,4 milhões de euros), além de outra linha de apoio na ordem de dois milhões de dólares (1,6 milhões de euros) de parceiros de cooperação, conforme informação do responsável.

Ainda assim, o diretor Nacional de Assistência Médica rejeitou um alegado colapso do sistema nacional de saúde face a denúncias de falta de material hospitalar nas unidades de saúde, uma reclamação que os profissionais do setor fazem há anos.

“As unidades sanitárias estão a funcionar, os colegas estão a trabalhar e isto põe em causa aquilo que é a narrativa de alguns órgãos de comunicação que dizem que o sistema está em colapso. Portanto, todos os hospitais, como pudemos ver, estão a funcionar com alguma normalidade”, disse Nelson Mucopo.

O responsável disse que o funcionamento dos hospitais é satisfatório, indicando que, de 09 a 22 deste mês, os hospitais centrais e provinciais atenderam 81.500 pacientes nas consultas externas, 50.410 doentes nos serviços de urgência, 42.444 nos serviços laboratoriais, além da realização de 1.266 cirurgias de urgência e 1.179 cesarianas, tendo-se registado 3.468 partos normais e 4.375 nados vivos.

Não obstante o “funcionamento normal” dos hospitais, o Governo criticou os funcionários que cometem atos de indisciplina.

“Há colegas que, infelizmente, desviam-se daquilo que são os padrões normais de conduta a nível do setor da saúde, temos alguns focos de indisciplina, de mau atendimento, de corrupção, que obviamente estão a ser acompanhados pelas entidades competentes”, disse, indicando que a maioria dos funcionários não compactua com tais comportamentos.

Na terça-feira, o Governo disse que espera “elementos concretos” do ministro da Saúde sobre uma eventual crise no setor, face a relatos de falta de material hospitalar nas unidades sanitárias, para avançar com medidas.

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