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Governo dos Açores destaca melhorias nos indicadores de álcool e droga na região

Lusa
19-02-2026 21:34h

O Governo Regional dos Açores considerou hoje que os relatórios recentemente divulgados sobre consumos de álcool e drogas comprovam que a região se encontra num “caminho sustentado de melhoria e de reforço das respostas públicas”.

“Estes resultados confirmam que o investimento contínuo na prevenção, no tratamento e na redução de riscos está a produzir efeitos concretos na Região Autónoma dos Açores”, afirmou a Direção Regional de Prevenção e Combate às Dependências, em comunicado.

Em causa estão o “Relatório Anual 2024 - A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências” e o “Relatório Anual 2024 - A Situação do País em Matéria de Álcool”, publicados recentemente pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD).

Para o executivo açoriano, os números do ICAD comprovam que “as medidas implementadas estão a produzir efeitos, ainda que de forma gradual, conforme expectável em matérias de comportamentos aditivos e dependências”.

“Os dados agora divulgados refletem assim o impacto do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na região, mantendo-se, contudo, a consciência de que permanece um longo caminho a percorrer, designadamente no reforço das políticas de prevenção, das respostas de tratamento e da articulação entre todos os parceiros, de forma a consolidar e aprofundar os progressos alcançados”, reforçou.

O executivo açoriano destacou o facto de os Açores se terem apresentado “entre as regiões do país com menores prevalências de consumo recente de qualquer droga na população dos 15 aos 74 anos, acompanhando a tendência nacional de descida”.

Realçou ainda o facto de a região ter registado “a descida mais expressiva do consumo recente de outras drogas que não canábis, face ao ano anterior”, alegando que isso evidencia “a eficácia das políticas de prevenção, dissuasão e tratamento implementadas”.

Ainda assim, segundo o relatório, os Açores apresentaram “a prevalência mais alta (9%) de consumo recente de outras drogas que não canábis (consideradas no seu conjunto) por comparação às restantes regiões do país (entre 6% e 7%)”.

A região apresentou também as maiores prevalências de consumo recente de cocaína e de opiáceos.

De acordo com o relatório, foi ainda nos Açores que foi apreendida a maioria da buprenorfina e a totalidade da codeína em Portugal.

Em relação ao consumo de álcool, o executivo açoriano destaca o facto de os Açores serem “uma das poucas regiões do país a registar descidas simultâneas na embriaguez severa recente nas populações dos 15-74 anos e dos 15-34 anos”.

Refere ainda que se verificou uma “redução nos consumos de risco elevado/nocivo ou dependência” nos Açores e que a região é uma das que apresentam “evolução favorável neste domínio”.

O número de internamentos hospitalares relacionados com o consumo de álcool nos Açores, em 2024, foi de 790, mais 36 do que em 2023.

Ainda assim, o executivo açoriano sublinha que “este valor representa uma redução muito significativa face a 2019”, ano em que se contabilizaram 1.026 internamentos.

Segundo o relatório, os Açores apresentaram a maior taxa de internamentos relacionados com o consumo de álcool em Portugal (3,10%), mas o Governo Regional salienta que foi a “menor taxa de sempre” na região.

O executivo realça ainda que “os Açores deixaram de ser a região com maior taxa de mortalidade por doenças atribuíveis ao álcool, tendo passado de 37,3% em 2022 para 29,1% em 2023”.

Segundo o relatório, em 2023, morreram 71 pessoas nos Açores por doenças atribuíveis ao álcool.

A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes da região foi apenas superada pela da Madeira (29,3%) e ficou acima da média nacional (19,6%).

Quanto aos anos potenciais de vida perdidos por doenças atribuíveis ao álcool, o Governo Regional refere que os números “evidenciam uma melhoria expressiva” na região, que deixou de ocupar a posição mais elevada do país.

A taxa de anos potenciais de vida perdidos por 100 mil habitantes nos Açores em 2023 foi de 322,6, quando em 2022 era de 444,9.

O valor é apenas superado pelo da Região Autónoma da Madeira, que atingiu os 353,6.

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