O Presidente da República admitiu hoje sentir-se frustrado pelos números da pobreza em Portugal não terem descido, estando acima dos dois milhões de pessoas, um combate que defendeu, segundo lembrou, ao longo dos seus mandatos.
Marcelo Rebelo de Sousa visitou hoje o Banco Alimentar Contra a Fome, em Alcântara, Lisboa, no dia em que arrancou a campanha de recolha de alimentos, tendo o chefe de Estado português feito o seu donativo.
Questionado se não sentia frustração pelos números da pobreza no país, Marcelo Rebelo de Sousa foi perentório: "Ah, sim, sinto frustração".
Nas mesmas declarações, recordou que a questão da pobreza em Portugal dura há mais de 50 anos e que testemunhou os esforços dos vários governos ao longo de décadas, “que fizeram o que puderam, tentaram fazer o que puderam".
E enumerou alguns dos fatores que contribuíram para tal cenário: as crises internacionais, situações sanitárias como a pandemia da covid-19 ou o próprio envelhecimento da sociedade portuguesa.
“A sociedade portuguesa e as sociedades europeias estão a envelhecer muito rapidamente e o envelhecimento significa empobrecimento, e significa também uma dificuldade" depois de se dar a volta, referiu.
“E nós demos a volta, largamente, como sabem, devido à imigração, mas só demos uma parte", sublinhou, referindo que não se inverteu completamente.
E prosseguiu: “Não sei se viram ultimamente os números (...) de partos em unidades hospitalares em Portugal, em que o número de partos de população imigrante tem subido aceleradamente, por uma razão muito simples: são mais jovens, são mais numerosos e estão por essa via a aguentar, parcialmente, a situação da população portuguesa".
No início das suas declarações aos jornalistas, no final da visita, o chefe de Estado agradeceu à Federação dos Bancos Alimentares, como Presidente da República, os "muitos, muitos, muitos anos de serviço ao país".
"E se há tristeza que eu tenho no coração é porque a pobreza não diminuiu aquilo que devia ter diminuído”, salientou.
Dois milhões de portugueses "é muito português e desses dois milhões haver quase 400 mil que recebem o apoio dos Bancos Alimentares, quer dizer que é um quinto" desse total, afirmou.
Por sua vez, tem alegria por ver "mais voluntários, mais jovens", acrescentou.
Em 17 de outubro, a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal alertou para o número persistente de pessoas em risco de pobreza, acima dos dois milhões, o que demonstra que este fenómeno continua a ser um problema estrutural no país.
A ação da campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome envolve a participação de mais de 42 mil voluntários em 2.000 lojas distribuídas por todo o país, num convite à partilha de alimentos não perecíveis com quem mais precisa.
A campanha decorre até dia 30 de novembro em lojas físicas, mas prolonga-se até dia 07 de dezembro em www.alimentestaideia.pt.