As autoridades de saúde moçambicanas alertaram hoje que é urgente fortalecer as campanhas de doação de sangue face à insuficiência nos hospitais, apesar das 63 mil unidades no primeiro semestre, mais 6,8% em relação a 2024.
“É urgente fortalecer as campanhas de sensibilização, ampliar a rede (...), investir em infraestruturas e, sobretudo, cultivar o espírito dos nossos cidadãos à consciência de que doar sangue deve ser um hábito frequente e voluntário”, disse o secretário permanente do Ministério da Saúde (Misau) de Moçambique, Ivan Manhiça, durante a abertura da cerimónia que assinala hoje o Dia Nacional do Dador de Sangue, em Maputo.
O responsável reconheceu ainda que Moçambique enfrenta o desafio de “garantir autossuficiência em sangue seguro”, quando o país registou este ano doações que cobrem cerca de 70% das necessidades, com uma lacuna de 30%, apelando, por isso, para o aumento do número de doadores.
“Para combater esta lacuna devemos aumentar o número de doadores, mas também aumentar o número de doações. O nosso objetivo deve ser claro, assegurar que nenhum indivíduo perca a vida por falta de sangue dos nossos hospitais”, disse Ivan Manhiça, reconhecendo “contínuos desafios”, apesar dos avanços na expansão dos bancos de sangue em todo o país, em cerca de 174 unidades de saúde.
O secretário permanente do Misau lamentou a falta de doações voluntárias de sangue no país, um processo que conta maioritariamente com familiares dos doentes, quando há, diariamente, muitos moçambicanos que necessitam de transfusão de sangue para “continuar a viver”, sejam vítimas de acidentes, mulheres em trabalho de parto, bem como crianças com anemia ou pacientes que enfrentam doenças crónicas.
“Para estas pessoas, cada gota de sangue doada representa a diferença entre a vida e a morte (…). Queremos assegurar que o sangue esteja sempre à espera do doente e não do doente à espera do sangue”, disse o representante, descrevendo o dia da efeméride como um momento de reflexão e de sensibilização para o reforço da "importância da doação regular, responsável e voluntária de sangue”.
No evento, que decorreu sob o lema “Doa Sangue, Doa Esperança, Juntos Salvamos Vidas”, a diretora-geral do Serviço Nacional de Sangue disse à Lusa que a instituição registou cerca de 63 mil unidades de sangue no primeiro semestre deste ano, contra 59 mil no mesmo período de 2024, ano em que foram recolhidas 144 mil unidades.
“Tivemos um aumento, mas mesmo assim o número de população aumenta, as doenças aumentam e mesmo assim ainda não é suficiente”, disse Sara Salimo, fazendo também menção a desafios no tempo de espera para obter o sangue quando é necessário.
“Infelizmente, para nós conseguirmos responder aos pedidos há alguns que nós levamos até 72 horas porque temos de ligar alguns doadores, por causa do tipo de grupo sanguíneo. Às vezes temos de esperar por causa da família, para vir doar. Então, isto não é a forma correta de trabalhar”, concluiu a diretora-geral do serviço de sangue moçambicano.