SAÚDE QUE SE VÊ

Covid-19: Trabalhadores dos CTT pedem redução de horários e mais material de proteção

LUSA
17-03-2020 14:36h

A Comissão de Trabalhadores (CT) dos CTT apelou hoje à empresa que reduza os horários de atendimento e distribua material de proteção pelos funcionários de forma a fazer face ao "pânico de contágio" devido ao surto de Covid-19.

Em declarações à agência Lusa, Samuel Vieira, membro da CT e da Comissão de Segurança e Saúde do Trabalho, ambas órgãos representativos dos trabalhadores dos CTT, descreveu que "a nível nacional há um pânico generalizado" neste setor.

"Vamos falando com os recursos humanos e sabemos que esta é uma situação muito complexa. Eles têm de gerir, têm muitas dificuldades, as pessoas têm de continuar a receber correio. Nós percebemos. Mas os funcionários dos CTT estão muito preocupados e alguma coisa para os sossegar tem de ser feita", disse Samuel Vieira.

Este apelo surge no dia em que foi tornado público que um funcionário do Centro de Distribuição Postal (CDP) de Ermesinde, em Valongo, distrito do Porto, é o primeiro caso de infeção de Covid-19 nos CTT.

"Informamos que foi acionado o protocolo definido para este tipo de situações, estando já a articular a gestão desta situação individual junto da Autoridade de Saúde da área geográfica", indicou a empresa em nota enviada à agência Lusa.

Esta notícia surge um dia depois de algumas dezenas de trabalhadores dos CTT de Vila Nova de Gaia se terem recusado a trabalhar enquanto não fosse efetuado um teste de despistagem do novo coronavírus a um colega que esteve em contacto com um infetado confirmado.

"Compreendendo que o país está a viver um momento completamente extraordinário, o que pedimos é que os trabalhadores dos CTT também sejam protegidos. Reduzam o horário de atendimento das estações e distribuam material", pediu Samuel Vieira.

O membro da Comissão de Trabalhadores e da Comissão de Segurança e Saúde do Trabalho sugeriu que seja dada prioridade "apenas e sem exceções" ao correio prioritário, avançou que "os trabalhadores estão disponíveis para estudar medidas que envolva trabalhar por turnos" e exigiu mudanças no atendimento ao público uma vez que, descreveu à Lusa, "poucos são os locais com divisória fixa".

"Até aqui apenas colocaram uma fita no chão a marcar onde o cliente fica. E nós sabemos que as máscaras e as luvas estão em pouca quantidade no país todo, mas os CTT também precisam", disse o responsável.

Esta manhã, devido ao caso confirmado naquele centro de distribuição de Ermesinde, freguesia do concelho de Valongo, a agência Lusa contactou a administração dos CTT, tendo fonte oficial confirmado a situação e garantido que foi acionado o protocolo definido para este tipo de situações e seguidas todas as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).

"Os CTT estão muito focados na atual problemática Covid-19 e em acompanhar em permanência todas as recomendações das Autoridades. A empresa vai continuar a acompanhar diariamente as orientações da DGS e a evolução dos factos, de modo a adaptar os procedimentos internos de minimização de eventuais contágios, sempre que se justifique", refere a nota da empresa.

Já numa nota interna, a que a Lusa teve acesso, a administração dos CTT adianta aos trabalhadores que "está a fazer todos os esforços" para conseguir "adquirir mais" material de proteção de forma a "reforçar os envios já efetuados".

O número de infetados pelo novo coronavírus subiu hoje para 448, mais 117 do que os contabilizados na segunda-feira, anunciou a DGS.

De acordo com o boletim sobre a situação epidemiológica em Portugal, divulgado hoje às 12:00, há 4.030 casos suspeitos (mais 1.122), dos quais 323 (eram 374) aguardam resultado laboratorial.

Segundo a DGS, há três casos recuperados.

MAIS NOTÍCIAS